11 de dez de 2008

CAPITÃO FERREIRA E JOÃO COSTA



Os últimos que deslizaram nas carreiras foram, em 20 de Dezembro, os navios-motores bacalhoeiros “Capitão Ferreira” e “João Costa”, construídos nos Estaleiros Navais do Mondego para a Atlântica Companhia Portuguesa de Pesca, Ldª e para a Sociedade de Pesca Luso-Brasileira, Ldª. Deviam ter sido lançados à água na véspera, deslizar nas respectivas corredoras, por entre ambiente festivo dos outros navios a apitarem, aplausos de multidão, agitar frenético de boinas dos operários que com muita competência e dedicação, os construíram e fizeram, desde a quilha aos topes dos mastros, por entre acordes o Hino Nacional.
Assim devia ter sido.
Sucedeu, porém, que o temporal reinante em todo o país e que particularmente se fez sentir na Figueira da Foz, impediu que o lançamento à água se fizesse na data marcado.
(…) Estando tudo preparado para o lançamento à água dos dois navios, e sob a responsabilidade do mestre construtor Benjamim Mónica, estes desceram às águas do Mondego, enquanto o Sudoeste passava em rajadas que atingiam velocidades superiores a 100 quilómetros e a chuva caía em bátegas sucessivas.
(…) Mestre Benjamim Mónica, assistido pelos seus contra-mestres e operários e por seu irmão Manuel Maria Mónica, de Aveiro, tomou a responsabilidade de que o lançamento se faria. Na hora marcada os barcos desceriam sem novidade. Nem chuva, nem vento o impediriam se Deus quisesse e nossa senhora da Boa Viagem estivessem por ele e com ele.
(…) Escutaram-se toques de sereias, ouviram-se “vivas”, toda a gente se abraçava. (…) Descera, na carreira, vencendo o mais feroz oposição de vento e mar, o “Capitão Ferreira” e o “João Costa” – oitavo e nono navios lançados à água, no ano de 1945 em estaleiros nacionais, com destino à frota bacalhoeira e que já tomarão parte na campanha de 1946.

Jornal do Pescador, órgão das Casas dos Pescadores, Ano X, nº 85, Janeiro de 1946