30 de out de 2004

DOIS TEATROS DA FIGUEIRA




O primeiro teatro que a Figueira da Foz conheceu foi o chamado Grémio Lusitano situado na Casa do Paço. Foi construído entre 1820 e 1823 e foi estreado com a tragédia “Nova Castro”. O teatro viria a ser vítima de um incêndio, em 1860, mas os camarotes e a plateia escaparam pelo que o Grémio continuou a sua actividade cultural.

Igual sorte teve o Teatro Príncipe D. Carlos inaugurado no Verão de 1874. Foi construído em terrenos conquistados ao rio, no local onde é hoje o passeio frente ao café Nau. A plateia deste teatro comportava 253 lugares, os camarotes 42 e as galerias 130. A julgar pelas descrições do exterior e interior do edifício tratava-se de uma excelente e bonita construção. O calcanhar de Aquiles do Teatro Príncipe era o seu palco com apenas 10 metros. Diz a descrição que o fundo do palco era ornamentado com um painel da autoria de Adolfo Loureiro que mostrava a vista exterior do teatro.

Na noite da inauguração, uma sala cheia assistiu ao drama “Opressão e Liberdade”, levado à cena por amadores do concelho. Diga-se que, nesta sala, o teatro de amadores tinha entrada embora no Verão pontificassem as companhias profissionais.
Nos últimos anos o Teatro albergou o Ginásio Clube Figueirense razão pela qual, há poucos anos, os ginasistas erigiram no local uma memória relativa ao edifício.

26 de out de 2004

O ACTOR DIAS



António Dias Guilhermino nasceu em Maiorca em 1837 e iniciou-se no Teatro Boa União que existia onde está hoje a Universidade Internacional.

Conhecido como “Zé Canaia”, em virtude de ter interpretado uma cançoneta com este nome, aquele que ficaria conhecido como Actor Dias foi levado para o teatro profissional por Apolinário de Azevedo. De Lisboa foi para Coimbra – pretendia, na Lusa Atenas, formar-se em Farmácia, pois exerceu durante muitos anos a profissão de ajudante na farmácia do hospital - mas o êxito que tinha como actor impediram-no de fazer estudos.

Correu o país todo em digressão e conquistou o meio artístico do Rio de Janeiro onde trabalhou no circo. Trabalhou para o empresário Sousa Bastos onde alcançou assinalável êxito na peça “Reino das Mulheres” (1880).

Camilo Castelo Branco, que era seu admirador, adaptou propositadamente para o actor a comédia francesa “O Assassino de Macário” onde Dias desempenhava o papel de “Velho”.

Em 25 de Novembro de 1893 representando o papel de Agapito Solene na comédia “Solar de Barrigas”, António Dias Guilhermino caiu fulminado por uma congestão cerebral.

23 de out de 2004

A GUERRA DAS FILARMÓNICAS



Dizem as fontes que corria uma “luminosa tarde de Abril” de 1881 e que o pátio de Stº António “regorgitava” com a procissão do enterro. O momento era solene também pela presença das autoridades, gente distinta e ilustre. Duas filarmónicas faziam a guarda de honra: a Dez de Agosto ( dos Regeneradores) e a Figueirense (dos Progressistas).

Vejamos o que nos diz o relato:
Mal a imagem semi-desnuda, de carnes maceradas, expõe à luz do dia o seu decúbito impressionante, seguida da Senhora das Dores, de expressão dramática e cabeleira desgrenhada, uma filarmónica avança. É a Dez de Agosto. A outra imita-a Ambas disputam o lugar de honra. E então é que foram elas! Esquecendo as circunstâncias e o local, os filarmónicos armados do instrumental, arremetem uns contra os outros. Engalfinham-se, enovelam-se, barafustam, agridem-se, esmurram-se, esbofam-se como possessos! Seus partidários, de parte a parte, em grande número, apressam-se a seguir-lhes o exemplo”.

O instrumental, diz o relato, converteu-se “em sucata”. Vítima da pancadaria saiu a imagem do senhor “com um braço partido”. E não houve procissão.

DAVID DE SOUSA, MÚSICO DISTINTO

A 3 de Outubro de 1918 morreu, com 38 anos, na Figueira da Foz, vítima de pneumónica, o maestro David de Sousa.

David de Sousa integrou um conjunto de grandes vultos da cultura figueirense, ao lado de António Santos Rocha, Goltz de Carvalho, Luiz Carrisso, Joaquim de Carvalho, João Reis e outros.

Começou a estudar música aos 9 anos tendo concluído o conservatório na capital aos 24 anos e, quatro anos depois, o conservatório de Leipzig. Viajou pela Rússia e pela Áustria (onde actuou) e deu o seu primeiro concerto na Figueira em 1913; Fixou-se em Lisboa e iniciou o seu trabalho de regente no Politeama.
Distinguiu-se como divulgador da música russa, ao tempo mal conhecida em Portugal. Foi, a partir de 1915, professor da Escola de Música de Lisboa.