8 de out de 2007

A PESCA DO PILADO



* O pilado é uma variedade de caranguejo muito vulgar nas águas portuguezas, nas quaes é objecto d`uma pesca considerável.
É bastante procurado pelos lavradores, que o usam como adubo no cultivo das suas leiras, sendo riquíssimo em matérias orgânicas azotadas, que existem, segundo as analises na elevada percentagem de setenta por cento! As estatísticas acusam uma produção de 98:244$000 reis, média geral nos ultimos quinze anos.
Na costa norte de Portugal é conhecido por diferentes nomes: patêlo, do Minho ao Lima,; pilado, d`aqui até ao Douro; mexoalho ou escasso, para o sul até Aveiro e Figueira da Foz. Tem a forma circular, com cinco centímetros de diâmetro em média, couraça lisa de a cor acastanhada escura, e o ventre branco.
A sua pesca faz-se com regularidade em quasi todo os portos da costa ocidental portugueza, sendo comtudo muito mais importante na costa norte do paiz. As embarcações empregadas n`ela são as bateiras e varinos, pequenos barcos de fundo chato, realisando-se sempre à vista e às vezes, a certa distancia d`ela, unicamente em condições de tempo bonançoso, sobretudo nos mezes de Agosto e Setembro, e ainda assim, os desastres são frequentes porque os pescadores com o seu espírito ganancioso, carregam em demasia as suas pequenas e frágeis embarcações e, não raras vezes, ao atravessarem a arrebentação das ondas, junto à praia, no regresso da pesca, são vitimas da sua imprudência. E n`estes desastres, a que tantas vezes temos assistido, quando não ficam sem as vidas, quasi sempre perdem barcos e aparelhos, e, sempre, o produto da pesca d`aquele dia, o que representa algumas horas de laboriosas fadigas e canseiras.
Em geral os pescadores largam da terra na vazante e regressam na enchente seguinte, trabalhando em regra de dia quando encontram o pilado em profundidades superiores a 20 metros, preferindo a noite no caso contrario, porque segundo dizem quando pescam de dia em pequenas profundidades o pilado distingue facilmente a rede e fogem dela, abrigando-se na areia do fundo.
As redes do pilado são formadas por um saco de feitio vulgar, com três a quatro metros de fundo e de dez a doze de circunferência de boca, da qual partem, em direcções opostas, duas peças de rede, denominadas mangas, que têm aproximadamente de comprimento trinta metros (…)
A pesca pode realizar-se com o concurso de dois barcos ou de um só: no primeiro caso, chegados os barcos ao local próprio, um deles fundeia deixando larga porção de amarra, conservando a bordo o chicote do cabo de um dos calões da rede; o outro barco parte, largando a rede, que mergulha até ao fundo e dispondo-a de forma circular e, depois, navega até atracar ao primeiro, conservando a bordo o chicote do cabo do calão, que foi largado em ultimo logar. (…) Por este processo não se limita esta rede a apanhar apenas o pilado; como é natural ela colhe todo o tipo de peixe de diversas espécies e, algum, de bem diminutas dimensões devido ao pequeno tamanho das malhas (…)
O pilado logo que é descarregado na praia vende-se aos lavradores que o vêm procurar com os seus carros de bois ou outros meios de transporte, chegando por vezes a ser muito disputado e obtendo preços relativamente elevados.
É em seguida lançado nas terras sem outro preparo, às vezes ainda vivo como sai do oceano.

* Mesquita de Figueiredo in Ilustração Portuguesa