23 de ago de 2004

A FIGUEIRA EM AGOSTO



Agosto de 2004: a Figueira a transbordar de gente e animação. Como seria em 1935?
Aqui vai a descrição de Albano Duque no “Album Figueirense”, ano II, nº 3.

“Numa noite, em meados de Agôsto, acabava de jantar quando bateram à minha porta dois amigos, que, idos de Braga em excursão, iam, amàvelmente visitar-me ao mesmo tempo que visitavam a nossa terra. Trocámos abraços e palavras de amizade emquanto tomávamos uns cálices de um cordial vinho do Pôrto, e acompanhei-os num rápido percurso pela Avenida Saraiva de Carvalho até ao Forte de Santa Catarina, donde relanceámos a vista pela vasta praia iluminada por um belo luar e pelos focos dos projectores eléctricos. O mar tem, para os que vivem longe do litoral, extraordinário poder mágico que provoca uma admiração, um êxtase que nós, à fôrça de o vermos constantemente, já não sentimos. Por isso os meus amigos se ficaram, por longo tempo, comovidos e altamente interessados ante âquele espectáculo grandioso das águas do Oceano, arremetendo contra as fragas, e o contraste das águas mansas do Mondego, na hora da vasante, em que o luar punha cintilações argênteas.
Percorremos, depois, as esplanadas, bastante concorridas, e fomos cair nas ruas dos Casinos, que estavam em plena animação, cheiinhas de passeantes portuguesas e espanholas. Nos «cafés» não se cabia; o movimento, a alegria estuante, a luz à giorno, os sons das orquestras dos «cafés», dos casinos e dos auto-falantes, imprimiam uma extraordinária animação àquelas artérias da cidade, que são uma pequena parte, apenas, do Bairro Novo.
Ao cabo de algumas dificuldades e pesquisa lá conseguimos abancar a uma mesa de “café”, onde tomámos não me recorda o quê. Perdurava no espírito dos meus companheiros a mais agradável impressão; já tinham percorrido várias praias e termas mas confessaram-me que em nenhuma outra haviam encontrado tanta gente e tão grande animação.”